sábado, 16 de novembro de 2013

Os Movimentos Sociais Urbanos nos anos 70 e 80: um Balanço Historiográfico

   Nas últimas duas décadas o debate político brasileiro tem abordado uma gama extensa de temas, dentre eles a emergência e consolidação dos chamados movimentos sociais, tanto os de origem rural, como o MST, quanto os urbanos, a exemplo dos Movimentos dos Sem-Teto. Quando em sintonia com a “redemocratização”, os movimentos sociais urbanos e suas demandas impuseram-se na agenda política.
          A definição do que sejam os movimentos sociais urbanos, atuantes desde fins dos anos 70 e início dos 80, é uma tarefa teórica difícil. Contudo, com a emergência de uma vasta gama de ações coletivas, mobilizações e o aparecimento de inúmeras organizações nos centros urbanos, generalizou-se o uso do termo que deixou de ser sinônimo de movimento operário.A dificuldade conceitual é tanta que certos autores propõem diferenciar os movimentos sociais não somente dos movimentos operário e camponês, como também de outras manifestações sociais presentes no espaço urbano: movimentos étnicos, feministas, gays, ecológicos, pacifistas etc.
      Outros autores, a exemplo Maria Gohn, distinguem movimentos sociais urbanos de movimentos sociais populares urbanos, visto que os movimentos sociais urbanos possuem uma dimensão que é predominantemente popular, porém, não são exclusivamente movimentos populares, existindo também movimentos cuja base social é a classe média, o que significa que os movimentos sociais urbanos não possuem uma nítida distinção de classe. Os movimentos sociais puseram em curso ou manifestaram uma nova cultura política, assentada na noção de comunidade.
       A definição de movimentos sociais de alguns autores está carregada de idealismo e expressa, antes de qualquer coisa, os desejos do autor. Este tipo de interpretação sobre os movimentos sociais urbanos e suas funções será profundamente relativizada, quando não negada, por pesquisadores brasileiros, que rejeitam o papel transformador destes movimentos, apontando três fatores que os caracterizam e ao mesmo tempo dificultam sua análise: a) a heterogeneidade e complexidade das suas bases sociais; b) a adoção de formas de mobilização que se dão fora dos canais tradicionais de representação (partidos e sindicatos); c) a especificidade das suas demandas, isto é, o caráter tópico das suas lutas.
        É, portanto, uma interpretação que não constrói uma simetria entre movimentos sociais urbanos e classes sociais, nem os concebe voltados à transformação global da sociedade e muito menos portadores de uma “utopia alternativa”. Uma outra discussão que dividiu as opiniões no tocante à definição dos movimentos sociais urbanos diz respeito ao caráter revolucionário ou reformista destes movimentos.
 

Por Nayany Dutra

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